Um estudo conduzido por especialistas da Universidade do Sul da Califórnia (USC) provou através de números o que de certa forma já constatávamos: mulheres tendem a aparecer nos filmes de Hollywood com pouca roupa, enquanto homens tendem a pegar papéis com mais diálogo. Em síntese, elas são mais vistas e eles mais escutados.
Título original: Today’s media and the next generation of women
Publicação: Universidade do Sul da Califórnia
Quem fez: Stacy L. Smith, Cynthia Kennard e Amy D. Granados
Instituição: Escola Annenberg de Comunicação e Jornalismo, da Universidade do Sul da Califórnia
Dados de amostragem: 4.370 trechos de 100 filmes de sucesso lançados em 2008
Resultado: Homens protagonizam papéis com mais diálogos e mulheres aparecem na maior parte das vezes com menos roupa
Para chegar à conclusão, três especialistas da instituição americana, Stacy L. Smith, Cynthia Kennard e Amy D. Granados, analisaram 4.370 trechos de 100 filmes de sucesso lançados em 2008. Entre os títulos pesquisados estão Batman – O Cavaleiro das Trevas, Homem de Ferro e Crepúsculo.
A partir dessa análise, as cientistas descobriram que 67% dos papéis com fala pertenciam a atores homens, enquanto menos da metade, ou seja, 33%, pertenciam a atrizes. Também são elas que costumam interpretar nos filmes as figuras sexualizadas. Do total de obras estudadas, as mulheres apareceram usando trajes provocativos em 26% dos casos, enquanto apenas 5% dos homens apareceram na mesma situação.
O mesmo ocorre em papéis que exijam nudez. As mulheres apareceram seminuas em 26% dos filmes analisados, enquanto apenas 8% dos homens interpretaram papéis onde era preciso mostrar parcialmente o seu corpo.
No mercado cinematográfico a situação não é diferente. Para cada cinco diretores, roteiristas e produtores homens, uma mulher executa as mesmas funções em Hollywood. “As mulheres representam cerca da metade da população nos Estados Unidos e são responsáveis por 50% da bilheteria no país. Contudo, elas continuam representando somente um terço dos papéis com falas nos filmes”, diz Stacy Smith, professora da USC e líder do estudo.
- O que já se sabia sobre o assunto
“A mulher continua servindo como cenário nos filmes”, diz Giselle Gubernikoff, cineasta e professora da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP). A especialista reforça que a figura da mulher no cinema tem sido tema de vários estudos desde a década de 70 e que ela se surpreende ao perceber que pouca coisa mudou nos últimos 40 anos.Para a acadêmica, o cinema é naturalmente machista. Ela explica, no entanto, que devagar as coisas têm mudado. Um termômetro para toda essa inversão de papéis pode ser testemunhada na TV a cabo. Ao longo da história do cinema, muitas mulheres poderosas fizeram sucesso. Muitas atrizes se transformaram em verdadeiros ícones. O que elas não conseguiram com a fama foi colocar um ponto final no estereótipo dos personagens femininos – geralmente retratados de forma sexy e com pouca roupa.
No Brasil, ressalta Gubernikoff, a realidade é mais pessimista. Como o país é latino e historicamente mais machista, as diferenças entre gêneros no mercado cinematográfico são ainda mais latentes. “Aqui é muito mais difícil para a mulher conseguir espaço na indústria”, diz.
Especialista: Giselle Gubernikoff, cineasta e professora da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP)
Envolvimento com o assunto: Publicou o artigo A imagem: representação da mulher no cinema no periódico brasileiro Conexão, da Universidade de Caxias do Sul
- Conclusão
O cinema parece não acompanhar na mesma velocidade as conquistas femininas na vida real. Nesse mercado, o poder das grandes atrizes de Hollywood tem limite. E ele vai até onde determina a lente do diretor, na maioria das vezes em cenas sensuais com planos fechados, poucas roupas e muita sensualidade.(Por Renata Honorato)
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