Saúde
Governo gastará 4 bilhões de reais no plano de enfrentamento às drogas
Luciana Marques
A presidente Dilma Rousseff lançou nesta quarta-feira em Brasília o Plano de Enfrentamento ao Uso do Crack e outras Drogas, uma de suas principais promessas de campanha. O programa, com investimento de 4 bilhões de reais, terá como ações o atendimento ao dependente químico e a seus familiares, o combate ao tráfico de drogas e a prevenção ao uso dessas substâncias.
“Estamos diante de uma epidemia do crack no nosso país”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “O crack se tornou uma grande ferida social com capacidade de desestruturar famílias, ambientes, espaços urbanos.”
O Ministério da Saúde pretende qualificar os profissionais do setor e criar enfermarias especializadas nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS). Serão mais de 2.400 leitos destinados aos usuários, ao custo de 670,6 milhões de reais.
Padilha admitiu que o atendimento oferecido ao consumidor de drogas é deficitário na rede pública. “Não temos rede preparada”, disse. Segundo o ministro, o número de atendimentos de dependentes químicos em hospitais públicos aumentou dez vezes de 2003 até agora. “Precisamos criar uma rede com tipos de atendimento diferentes para pessoas diferentes e atender em horários não usuais”, afirmou Padilha.
Outra medida será a capacitação de 210.000 professores para o Programa de Prevenção do Uso de Drogas na Escola e 3.300 policiais militares do Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd). Cerca de 2,8 milhões de alunos deverão ser beneficiados por ano com a ação, segundo a Presidência.
Tráfico - O governo também quer ampliar o policiamento nos locais de consumo de drogas e nas fronteiras. Outra frente será o aumento das ações de inteligência a fim de desarticular organizações criminosas e prender traficantes. No evento, a presidente Dilma assinou a Medida Provisória que institui o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, Prisionais e sobre Drogas (Sinesp).
Nesta segunda-feira, o Planalto encaminhará ao Congresso Nacional um projeto que altera o Código de Processo Penal. O texto tem como objetivo acelerar a destruição de entorpecentes apreendidos pela polícia e agilizar o leilão de bens com origem no tráfico.
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