Estudos populacionais sobre a demência na população norte-americana têm mostrado uma incidência maior de doença de Alzheimer (DA) nos descendentes africanos que nos caucasianos. Entretanto, é importante lembrar que o diagnóstico de DA só é confirmado definitivamente com análise do tecido cerebral “pos mortem”, isto é, obtido em autópsias. Para averiguar o que ocorria na nossa população foi feita uma pesquisa em um banco de cérebros, da Faculdade de Medicina da USP. O estudo – coordenado pelo Centro do Genoma da USP – cujos primeiros autores são o Dr. David Schlesinger e Dra. Lea Grinberg, envolveu cientistas de vários centros e acaba de ser publicado na prestigiosa revista Molecular Psychiatry (8 Novembro de 2011). Os achados são surpreendentes.
O que revelam nossos cérebros
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O que revelam nossos cérebros
Estudos populacionais sobre a demência na população norte-americana têm mostrado uma incidência maior de doença de Alzheimer (DA) nos descendentes africanos que nos caucasianos. Entretanto, é importante lembrar que o diagnóstico de DA só é confirmado definitivamente com análise do tecido cerebral “pos mortem”, isto é, obtido em autópsias. Para averiguar o que ocorria na nossa população foi feita uma pesquisa em um banco de cérebros, da Faculdade de Medicina da USP. O estudo – coordenado pelo Centro do Genoma da USP – cujos primeiros autores são o Dr. David Schlesinger e Dra. Lea Grinberg, envolveu cientistas de vários centros e acaba de ser publicado na prestigiosa revista Molecular Psychiatry (8 Novembro de 2011). Os achados são surpreendentes.
A DA, que afeta principalmente indivíduos com mais de 65 anos, é caracterizada por uma perda progressiva da memória e da capacidade cognitiva. Mais de 90% dos casos não são hereditários, felizmente. A DA é causada pelo depósito de placas amilóides-b e proteína tau no cérebro. Com isso, os neurônios e conexões são destruídos, levando aos poucos à perda da memória. Com o aumento da nossa expectativa de vida, a incidência da DA é cada vez maior. Entender os mecanismos que causam essa doença e prevenir o seu aparecimento tem sido uma preocupação constante
Como foi feita a pesquisa da Universidade de São Paulo?
Os pesquisadores analisaram achados patológicos (presença de placas amilóides, emaranhados neurofibrilares e outros alterações típicas de DA) de 202 cérebros coletados entre 2004 e 2009 – de pessoas com mais de 50 anos – cuja morte não havia sido por violência ou crime. Além disso, só foram incluídos no estudo os casos nos quais os familiares tinham conhecimento sobre o estado funcional da pessoa falecida. Enfermeiras treinadas preencheram um questionário com dados demográficos incluindo escolaridade, avaliação cognitiva entre outros. Através da análise de DNA as amostras foram classificadas de acordo com sua ancestralidade em africanos, europeus, ameríndios e asiáticos.
O que foi observado?
Ao contrário do reportado para a incidência de DA na população norte-americana, a pesquisa mostrou que os cérebros de afro-brasileiros tinham significativamente menos placas neuríticas que os outros grupos. Ou seja, os nosso dados sugerem que a ancestralidade africana oferece proteção contra os achados patológicos característicos da DA – diminuindo os depósitos de placas b-amilóides ou aumentando a sua remoção.
Seria muito interessante repetir esse estudo na população dos Estados Unidos e tentar correlacionar os achados patológicos com a manifestação clínica da doença. Isso permitiria tirar a limpo se fatores ambientais como nutrição ou escolaridade poderiam explicar a maior incidência de DA na população de origem africana de acordo com os estudos realizados naquele país.
Por Mayana ZatzA DA, que afeta principalmente indivíduos com mais de 65 anos, é caracterizada por uma perda progressiva da memória e da capacidade cognitiva. Mais de 90% dos casos não são hereditários, felizmente. A DA é causada pelo depósito de placas amilóides-b e proteína tau no cérebro. Com isso, os neurônios e conexões são destruídos, levando aos poucos à perda da memória. Com o aumento da nossa expectativa de vida, a incidência da DA é cada vez maior. Entender os mecanismos que causam essa doença e prevenir o seu aparecimento tem sido uma preocupação constante
Como foi feita a pesquisa da Universidade de São Paulo?
Os pesquisadores analisaram achados patológicos (presença de placas amilóides, emaranhados neurofibrilares e outros alterações típicas de DA) de 202 cérebros coletados entre 2004 e 2009 – de pessoas com mais de 50 anos – cuja morte não havia sido por violência ou crime. Além disso, só foram incluídos no estudo os casos nos quais os familiares tinham conhecimento sobre o estado funcional da pessoa falecida. Enfermeiras treinadas preencheram um questionário com dados demográficos incluindo escolaridade, avaliação cognitiva entre outros. Através da análise de DNA as amostras foram classificadas de acordo com sua ancestralidade em africanos, europeus, ameríndios e asiáticos.
O que foi observado?
Ao contrário do reportado para a incidência de DA na população norte-americana, a pesquisa mostrou que os cérebros de afro-brasileiros tinham significativamente menos placas neuríticas que os outros grupos. Ou seja, os nosso dados sugerem que a ancestralidade africana oferece proteção contra os achados patológicos característicos da DA – diminuindo os depósitos de placas b-amilóides ou aumentando a sua remoção.
Seria muito interessante repetir esse estudo na população dos Estados Unidos e tentar correlacionar os achados patológicos com a manifestação clínica da doença. Isso permitiria tirar a limpo se fatores ambientais como nutrição ou escolaridade poderiam explicar a maior incidência de DA na população de origem africana de acordo com os estudos realizados naquele país.
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