quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

TCU viu risco de prejuízo de R$ 300 milhões à Prefeitura de BH em convênio de Pimentel com a Fiemg, que, depois, virou sua “cliente”


Por Marcelo Portela, no Estadão:
A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) firmou convênio com a Prefeitura de Belo Horizonte para a elaboração de projeto que, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), resultaria em prejuízo de mais de R$ 300 milhões aos cofres públicos. O convênio foi firmado em 2008, a 16 dias de terminar a gestão do hoje ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel - e pouco antes de ele se tornar consultor da Fiemg.
A iniciativa referia-se à revitalização do Anel Rodoviário de Belo Horizonte. O acordo foi assinado em 15 de dezembro de 2008 e, pela federação dos empresários assinou seu presidente Robson Braga de Andrade, que hoje comanda a Confederação Nacional das Indústrias.
Em 1.º de janeiro de 2009, Pimentel passou o cargo ao seu apadrinhado político Marcio Lacerda (PSB). Ele montou, em seguida, a P21 - Consultoria e Projetos. Naquele mesmo ano, a Fiemg contratou a P21 - na qual Pimentel era sócio de seu ex-assessor Otílio Prado para prestar nove meses de consultoria, pelos quais o ex-prefeito recebeu R$ 1 milhão a Pimentel. Prado é hoje assessor de Marcos Lacerda,
Antes, porém, a prefeitura firmou convênio com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e lhe encaminhou o projeto elaborado pela Fiemg, para a licitação das obras. A iniciativa, porém, esbarrou no TCU: o ministro Raimundo Carreiro determinou em julho passado a interrupção do processo por constatar “irregularidades graves”. No total, seu custo chegava a R$ 837,5 milhões.
Inconformidades. Em sua avaliação do projeto, o ministro Carreiro diz terem sido detectados “os indícios de irregularidade” que “infringem os princípios constitucionais da economicidade e eficiência”. “O projeto de engenharia tal qual aprovado carrega o potencial de prejuízo aos cofres públicos que ultrapassa os R$ 300 milhões, em razão das inconformidades nos quantitativos, de distâncias de transporte incorretas, de sobrepreços e antieconomicidades nas soluções de engenharia”, diz a análise.
(…)
Por Reinaldo Azevedo
VEJA

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