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terça-feira, 24 de maio de 2011

'Estar no Rio foi fantástico desde o minuto que pousamos', diz McCartney

Em carta aberta, cantor comentou participação do público em show.
Ex-beatle chamou fãs que ficaram em frente ao hotel de 'bananas'.

Do G1, em São Paulo
Paul McCartney escreveu um depoimento sobre seus shows no Rio de Janeiro divulgado na terça-feira (24). Segundo os organizadores da turnê Up & Coming no país, a mensagem foi escrita pelo cantor na noite de segunda (23), antes da segunda apresentação no ex-beatle na cidade.
Paul McCartney em momento do show no Engenhão na segunda-feira (23).  (Foto: AP)Paul McCartney em momento do show no Engenhão na segunda-feira (23). (Foto: AP)
No texto, o ex-beatle comenta a empolgação dos fãs em frente ao hotel Copacabana Palace, onde ficou hospedado, e as reações do público durante suas apresentações.
McCartney deixou o Rio de Janeiro na noite de segunda (23), logo após sua apresentação no Estádio João Havelange, o Engenhão.
Confira a íntegra da mensagem escrita pelo ex-beatle:

"Estar no Rio foi fantástico desde o minuto que pousamos. A multidão em volta do hotel era 'bananas' [expressão em inglês que significa maluco, louco]. Eles eram loucos e a atmosfera foi crescendo até fazermos os shows. Eu amo o Brasil. Eu amo o fato que eles amam música, é uma nação muito musical. Eu se eu amo música e eles amam música, então é uma conexão natural.
Fãs de todas as idades estavam nos shows. Tinha um enorme grupo de fãs jovens, que eu amo, e também tinha seus pais e até seus avós. Então era uma enorme variação de idade. O entusiasmo pela minha música era simplesmente sensacional. Todos nós da banda curtimos esse momento maravilhoso e nós agradecemos aos fãs por tornarem tudo tão excitante.
Quando tocamos 'Hey Jude' e pedi a plateia para cantar "na na na na's", de repente todos mostraram cartazes. Foi uma coisa muito visual. Foi muito emocionante porque os fãs tiveram todo este trabalho. Ele poderiam ter apenas vindo ao show e assistido, mas eles se falaram antes para criar este momento tão especial. Ele se conectaram uns com os outros, depois conectaram-se conosco e com a equipe inteira. Todos se sentiram unidos. Foi muito excitante e emocionante ver que as pessoas se importam tanto."

Propina era paga dentro da Casa Civil

Vinícius Castro, sócio de Israel Guerra, recebeu R$ 200 mil reais dentro da sala onde despachava, a poucos metros do gabinete da ministra da Casa Civil
 
A reportagem de capa de VEJA desta semana traz mais indícios da extensão do balcão de negócios que funcionava dentro da Casa Civil. A revista relata o episódio em que o jovem advogado Vinicius de Oliveira Castro, sócio do filho da ex-ministra Erenice, se surpreendeu ao encontrar 200 000 reais na gaveta de sua mesa de trabalho. “Caraca! Que dinheiro é esse? Isso aqui é meu mesmo?”, disse.

Como mostra a reportagem, o dinheiro era propina distribuída aos funcionários do ministério para que eles mantivessem silêncio sobre esquemas de corrupção - ou colaborassem com eles. Um colega mais experiente explicou: “É o ‘PP’ do Tamiflu, é a sua conta. Chegou para todo mundo”. ‘PP’ significa propina no linguajar da repartição. Tamiflu é um medicamento utilizado para combater gripes, em especial a suína. Dias antes, em 23 de junho, o governo fechara um contrato de 34,7 milhões de reais para compra emergencial do remédio. Temia-se, na época, que a gripe suína pudesse se transformar numa epidemia.

A história foi revelada a VEJA por um amigo de Vinícius que trabalhava no governo e por seu tio, Marco Antonio Oliveira, então diretor de Operações dos Correios. Os dois depoimentos foram gravados pela revista. Vinícius relatou ao tio, sem dizer nomes, que outros três funcionários da Casa Civil receberam os pacotes de 200 000 reais. “Foi um dinheiro para o
Vinícius Castro, sócio de Israel Guerra, recebeu R$ 200 mil reais dentro da sala onde despachava, a poucos metros do gabinete da ministra da Casa Civil

Palácio. Lá tem muito negócio, é uma coisa”, afirmou. Para receber o valor, o ex-assessor da Casa Civil (que pediu exoneração na segunda-feira) explicou ao tio que não precisou fazer nada. “Eu avisei que, se ele continuasse desse jeito, ia sair algemado do Palácio”, disse a VEJA o ex-diretor dos Correios.

Além de funcionário do Planalto, Vinícius foi sócio de Israel Guerra, filho de Erenice Guerra, ministra da Casa Civil até quinta-feira, quando os escândalos que a têm como pivô a derrubaram do cargo. A empresa de Vinícius e Israel intermediava contratos com o governo e "vendia" a influência de Erenice aos seus clientes.
VejaBrasil

Investigação em Campinas chega ao entorno de Lula e deixa PT apreensivo



Relatório de 408 páginas sobre suposto esquema de corrupção e mensalinho na Prefeitura de Campinas (SP) agita o PT. O documento feito por quatro promotores do Gaeco, núcleo do Ministério Público que combate o crime organizado, sustenta ordem judicial de prisão contra 20 suspeitos - entre eles o vice-prefeito Demétrio Vilagra (PT), foragido desde sexta feira -, e cita como alvo da investigação o pecuarista e empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de quem é anfitrião em momentos de lazer.
Apontado como elo da empreiteira Constran com diretores da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A (Sanasa), empresa responsável pelo planejamento, execução e operação dos serviços de água e esgoto da cidade, Bumlai teria admitido a possibilidade de fazer delação premiada para 'proteger Lula'. O advogado de Bumlai, Mário Sérgio Duarte Garcia, nega taxativamente ligação do empresário com propinas em Campinas. 'É uma acusação criminosa.'
Lula é próximo também do prefeito Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT), seu aliado nas campanhas de 2002 e 2006 e apoiador de Dilma Rousseff em 2010. A mulher do prefeito, Rosely Nassim, está na mira da promotoria. A investigação a coloca no topo da suposta organização criminosa. A primeira-dama, chefe de gabinete do marido, não foi presa porque um habeas corpus a livrou liminarmente de 'medida coercitiva'.
O nome de Bumlai é mencionado na interceptação telefônica de um diálogo entre um advogado e Luiz Augusto Castrillon de Aquino, ex-diretor-presidente da Sanasa, foco do desvio de verba em Campinas, segundo a promotoria. À página 271, o relatório destaca que, em 26 de abril, Aquino conversa com o advogado após reunião com um homem chamado de Ítalo Barione.
'De acordo com Luiz Aquino, Ítalo Barione estaria colhendo informações, a pedido do próprio José Carlos Bumlai, para viabilizar a formalização, junto ao Ministério Público, de delação premiada em favor dele', informa o documento. 'Aquino relata que Bumlai teria intenção de proteger Lula.' Um resumo da conversa, nos autos da promotoria: 'Aquino diz que Bumlai quer fazer acordo e 'o que ele puder fazer para proteger Lula, tudo bem''.
Pertinência. Para os promotores, 'o teor do diálogo é totalmente pertinente'. Eles falam das relações de Bumlai e Lula. 'O empresário talvez tivesse a preocupação de não propiciar uma exposição negativa em razão da amizade de ambos.'
A delação premiada não ocorreu. Bumlai não depôs no inquérito. Segundo o relatório, 'informações apontam que a participação de Bumlai no esquema investigado extrapola a simples representação dos interesses da Constran junto ao grupo de Rosely Nassim e o correlato repasse de porcentuais do contrato mantido com a Sanasa'.
'Já há informações no sentido de que Bumlai teria participação ainda mais direta no esquema de corrupção, inclusive com possível ascendência sobre Rosely Nassim', diz o texto. 'Resta aferir é se a aventada intenção de Bumlai de formalizar uma delação premiada se deve apenas à sua participação no repasse de porcentuais do contrato da Constran ou se ele ocupa alguma outra função mais específica dentro do esquema criminoso investigado.'
Mensalinho. A base da investigação que alvoroça o PT são os depoimentos de Aquino, que presidiu a Sanasa de janeiro de 2005 a julho de 2008. Ele fez delação premiada, em dois extensos depoimentos. Detalhou o mensalinho. Servidores recebiam parcelas fixas na divisão dos porcentuais de propinas. Aquino disse ter sido 'coordenador estratégico da campanha de Dr. Hélio em 2004, da qual 'Bumlai participou ativamente'.
'No início do primeiro mandato, o prefeito nomeou a mulher chefe de gabinete, tendo ela assumido amplos poderes na gestão', disse Aquino. 'Rosely decidiu montar esquema de arrecadação financeira clandestina na administração. Ou ingressava no esquema e propiciava a arrecadação ilícita de fundos ou era tirado do cargo que ocupava. Ela controlava praticamente todos os setores da administração.'
Segundo Aquino, a primeira-dama 'estabelecia metas anuais'. 'A arrecadação dos valores referentes aos contratos de prestação de serviços ficaria a meu cargo. A arrecadação dos contratos de obras ficaria a cargo de Aurélio Cance Júnior, diretor técnico.' Cance Júnior está preso. Aquino citou oito contratos. 'Os porcentuais (da propina) variavam de 5% a 7% sobre o valor da obra.'
Estadão

Senadores pedem afastamento de Palocci


BRASÍLIA - Senadores da oposição e integrantes de partidos da base aliada defenderam nesta segunda-feira, 23, o afastamento do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. Em discursos na Casa, nomes do PSDB, PMDB e PP dizem que o ministro não tem mais condições de permanecer no governo.
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ESPECIAL: Os altos e baixos de Palocci
O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) afirma que a presença de Palocci no cargo pode deixar o governo da presidente Dilma Rousseff 'exposto, acuado e obrigado a adotar medidas que só pioram a situação'. O senador apontou a renúncia do ministro como o melhor caminho para evitar constrangimentos à presidente, já que não conseguiu apresentar explicações convincentes para o seu enriquecimento.
'Amealhar R$7 milhões em quatro anos não é tarefa fácil, ainda mais quando essa façanha foi executada paralelamente ao trabalho de deputado federal', alegou. 'Não estou falando de um simples parlamentar, mas de um dos mais importantes quadros do PT no Congresso, envolvido diretamente nos projetos e propostas mais estratégicas para o governo Lula'.
As declarações de Jarbas receberam apoio dos senadores Alvaro Dias (PSDB-PR) e Ana Amélia Lemos (PP-RS), partido da base aliada do governo Dilma. 'O governo está contaminado com a sua presença. Pode-se até dizer que a oposição está indo em socorro ao governo ao pedir sua saída porque esse caso está contaminando a administração federal', disse Alvaro Dias em entrevista nesta segunda. Em plenário, o senador anunciou que vai começar a coleta de assinaturas para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar Palocci.
Jarbas Vasconcelos reconheceu que será difícil obter no Senado as 27 assinaturas para criar a CPI. Ainda assim, acha que a oposição deve insistir na busca de apoio para a investigação, em vez de se acomodar na 'declaração infeliz' do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de que o caso está encerrado.
'Palocci perdeu todas as condições de ocupar o cargo. Ele deve sair, até porque é quem desde o dia 1º de janeiro exerce a tarefa de indicar, de vetar ocupantes para cargos públicos', reiterou. O ministro lembrou que há pouco mais de cinco anos, Palocci foi obrigado a renunciar o cargo de ministro da Fazenda para não comprometer ainda mais o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E que ainda assim, 'foi premiado com uma segunda chance para fazer a coisa certa, mas que, em vez disso, 'incorreu novamente no erro'.
Ele lembrou que o caseiro Francenildo dos Santos Costa - que revelou ao Estado transações realizadas na mansão frequentada pelo então ministro e seus amigos de Ribeirão Preto - teve de expor aspecto de sua vida privada para provar a origem legal do dinheiro encontrado na sua conta da Caixa Econômica Federal. E que agora, resta ao ministro Palocci fazer mesma coisa, 'se é que isso é possível'.
estadao.com.br, Atualizado: 23/5/2011 17:52

domingo, 22 de maio de 2011

Milagre da multiplicação de bens - Por: Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP

Após Jesus Cristo ter realizado o milagre da multiplicação dos pães, foram os ex-governadores Orestes Quércia, de São Paulo e Newton Cardoso, de Minas Gerais os próximos a repetir o mesmo milagre, quando foram capas da revista Veja, em razão do patrimônio adquirido num determinado tempo que só mesmo por milagre. Esse recorde que envolve patrimônio astronômico em curto espaço de tempo foi quebrado agora por Antonio Palocci. Como deputado federal, em quatro anos, o genial ministro conseguiu aumentar por 20 tudo que sua capacidade permitira construir por toda sua vida.

Essa notícia foi trazida pelo jornal Folha de São Paulo no ultimo domingo, dia 15 de maio de 2011, ao relatar que o ministro declarara um patrimônio de 375 mil quando fora candidato em 2006. Trata-se da declaração de bens à Justiça Eleitoral, que é obrigatória e feita pelo próprio candidato. Durante o mandato, o então deputado federal arrecadou 974 mil em salários. Sem notícia de quanto gastou por mês, no fim do mandato o ministro conseguiu comprar dois imóveis, num total de sete milhões e meio de reais.

Intrigante é que o novo rico já é reincidente em casos embaraçosos de grande repercussão. Quando era prefeito de Ribeirão Preto, fora acusado de fraudes em licitação, acompanhado pelos assessores Roberto Buratti, Ralf Barquete e Vladimir Poleto. Depois foi acusado de determinar a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, por ter confirmado a presença do ministro em festas com seus ex-assessores numa mansão de Brasília. Não houve punição em nenhuma, como sempre ocorre no Brasil quando os acusados são pessoas em destaque.

De novo e como sempre, todas as autoridades já disseram que não há nada a fazer. Será que elas teriam a mesma resposta e fariam defesa tão rápida se essa genialidade de multiplicação de bens, na mesma proporção, viesse de um cidadão comum?

Nada se quer demais. Apenas que o ministro diga o óbvio: de onde veio o dinheiro. Ele enriqueceu quando exercia uma função pública. Na imprensa faltou comparação com outras empresas de todos os portes, para ver quantas empresas teriam multiplicado o patrimônio.

Diria às autoridades que mereceria investigar pelo simples fato de ser impossível alguém multiplicar por 20, em quatro anos o patrimônio adquirido em toda uma vida de mais de 50 anos. Essa história merece tanto crédito quanto a de um amigo que queria me convencer ter feito uma viagem de carro de Salvador a São Paulo em duas horas; sem maiores explicações.

Nesse episódio inexplicável, o mais chocante é que todos os defensores ferem princípios de direito. Sem nenhum conhecimento ou explicação, todos fazem a defesa prévia do ministro genial. Como a presidenta prometeu acabar com a miséria do país num período idêntico ao enriquecimento de Palocci, lhe recomendaria que tomasse uma dessas medidas: que utilizasse o método Palocci no desenvolvimento do país, e não só acabaria a miséria, como tornaria o Brasil num país de milionários, ou obrigasse o ministro a publicar uma cartilha ensinando o milagre da multiplicação a todos os brasileiros. Se como deputado conseguiu 20 vezes, é de se indagar quantas vezes aumentará durante os quatro anos na Casa Civil, de tão péssima fama, depois de José Dirceu e Erenice Guerra, esta escolhida por Dilma Rousseff. É fato que Palocci se supera a arte de aprontar a cada cargo público. Seu milagre é de matar Jesus Cristo de inveja.

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP

LOUIS ARMSTRONG ~ Moon River ~

sábado, 21 de maio de 2011

Quase 70% das famílias na extrema pobreza já recebem o Bolsa Famíl

Pesquisa do Ipea mostra que metade das pessoas na miséria está desempregada

Gabriel Mestieri, do R7, em Brasília
Celso Junior/AE/16.07.2009Celso Junior/AE/16.07.2009
Brasil ainda tem 16 milhões de pessoas vivendo na miséria, ou seja, que ganham até R$ 70 por mês

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Dois terços das famílias extremamente pobre no Brasil, alvo de um novo programa do governo para acabar com a miséria, a ser lançado nas próximas semanas, já são beneficiárias do Bolsa Família. De acordo com um estudo divulgado nesta sexta-feira (20) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 66,7% da população em situação de extrema pobreza residem em domicílios atendidos pelo programa. O governo deve lançar nos próximos meses um novo programa de combate à pobreza extrema, cujo objetivo é tirar mais de 16 milhões de brasileiros da miséria. Ainda de acordo com o anunciado pelo governo, o projeto terá como foco as famílias cuja renda per capita é de até R$ 70 por mês.
Os números nos quais o Ipea se baseia, da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios de 2009, são diferentes dos utilizados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome para planejar o Brasil sem Miséria, que utiliza dados do Censo 2010.
A pesquisa do Ipea mostra que metade das pessoas cuja renda está abaixo da linha da pobreza está desempregada. Entre os que trabalham, apenas 0,4% têm carteira assinada e 14% ganham menos de um salário mínimo. O Bolsa Família responde por um total de 39,7% da renda dessas famílias.
Os dados apontam ainda que metade dessa população tem acesso a algum tipo de telefone e possui fogão, geladeira, rádio e televisão em casa. Apenas 2,9%, entretanto, têm computador. Mais de 90% deles residem em moradias com acesso à luz elétrica, mas apenas 29,7% em casas com água e rede de esgoto.
Diferenças
De acordo com os dados utilizados do Ipea, 4,7% (cerca de 9 milhões) da população brasileira estão abaixo da linha de extrema pobreza, estabelecida pelo instituto em R$ 67. Já o número de brasileiros miseráveis considerado pelo Ministério de Desenvolvimento Social é quase o dobro do considerado pelo estudo do Ipea, de 8,5% (16 milhões), embora a linha adotada pela pasta seja de R$ 70 – diferença de apenas R$ 3 para a do instituto.
De acordo com o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, a diferença é “natural”, uma vez que os números utilizados são distintos. Para ele, mais importante é o fato de o governo ter definido uma linha para o novo programa, que poderá ser utilizada para medir se ele está sendo bem sucedido.
Enquanto a Pnad utiliza apenas uma amostra de domicílios, utilizando-a de maneira estatística para se chegar a uma estimativa do total da população, o Censo visita todas as casas, com a ambição de entrevistar todos os brasileiros e ter o panorama exato da situação do país. Entretanto, ao contrário da Pnad, que é realizada constantemente, o Censo só é feito a cada dez anos.

chamada pobreza info
03/05/2011

Quiz: Você sabe como funciona o Bolsa Família?


Nas últimas eleições, os principais candidatos à Presidência protagonizaram uma verdadeira disputa pela “paternidade” do Bolsa Família. Durante qual governo e em que ano o programa foi lançado oficialmente?

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Em 2011, o programa Bolsa Família já beneficiava quase 13 milhões de famílias no Brasil. Quem tem direito a receber o benefício?

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Em abril de 2011, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome passou a suspender o pagamento do Bolsa Família a alguns beneficiários que não cumpriam as exigências para integrar o programa. Quem corre o risco de perder ajuda mensal?

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Quanto cada família cadastrada no programa pode receber por mês do governo federal?

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Quais outros programas inspiraram a criação Bolsa Família?

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Pouco após tomar posse, a presidente Dilma escolheu anunciar o reajuste do programa durante uma visita ao Estado que possui o maior número de beneficiários do programa. Qual Estado reúne o maior número de famílias que recebem o Bolsa Família?

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Além de garantir a frequência escolar de crianças e adolescente, as famílias que participam do programa têm deveres em relação à saúde de seus filhos. O que elas precisam fazer para não perder o benefício mensal?

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Confira as respostas do quiz
R7

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Primeiro vírus brasileiro em 64 bits rouba senhas bancária

Praga desabilita recursos de segurança do Windows.
Código precisa de direitos administrativos para funcionar.

Altieres Rohr Especial para o G1
Caso habilitado, o UAC irá gerar um pedido de autorização antes que a praga funcione (Foto: Reprodução)Caso habilitado, o UAC irá gerar um pedido
de autorização antes que a praga funcione
(Foto: Reprodução)
O primeiro vírus feito por brasileiros e especificamente para Windows em versões 64 bits foi encontrado pela fabricante russa de antivírus Kaspersky Labs. A praga é um cavalo de troia (não se espalha sozinha) capaz de roubar senhas de banco e leva em conta funções específicas da versão 64 bits do Windows para conseguir remover softwares de segurança instalados por bancos.
O vírus precisa de permissão administrativa para executar. Isso significa que usuários com o Controle de Contas de Usuário (UAC) ou que estejam usando o sistema com um usuário limitado não serão infectados por completo e não terão os softwares de segurança removidos.
O pesquisador antivírus Fabio Assolini, da Kaspersky, diz que a praga adiciona configurações à inicialização do Windows para permitir a instalação de drivers não autorizados pela Microsoft – uma das mudanças específicas do Windows 64 bits foi a de exigir assinaturas (autorização) da Microsoft para todos os drivers instalados no Windows em 64 bits.
Um driver é um software especial que roda com mais privilégios que um programa comum, normalmente usado para controlar hardware de sistema, mas ele é também usado por vírus para remover softwares de segurança ou se camuflar no sistema.
Os vírus brasileiros que tentavam instalar drivers não eram compatíveis com o Windows Vista ou 7 em 64 bits, por exemplo.
Segundo a Kaspersky, o vírus ainda adiciona uma lista de autoridades certificadoras falsas no sistema e redireciona sites de banco. Com isso, os sites falsos poderão exibir “certificados de segurança” (o famoso “cadeado” no navegador), o que normalmente não é possível mesmo em sites redirecionados. É por meio desses redirecionamentos que ele rouba as senhas de banco – uma técnica comum no Brasil.

Windows Phone coleta dados sobre a localização do usuário, diz Microsoft


Windows Phone coleta dados sobre a localização do usuário, diz Microsoft

Históricos de localização não são gravados no aparelho, afirma empresa.
Pesquisadores descobriram que iPhone mantém arquivo com histórico.

Do G1, em São Paulo
Aparelho da HTC com Windows Phone 7 (Foto: Divulgação)Aparelhos com Windows Phone 7 também
colhem dados de localização (Foto: Divulgação)
Assim como o iPhone e o Android, celulares com o sistema operacional Windows Phone, da Microsoft, também recolhem informações sobre a localização dos usuários.
Conforme o site da própria companhia, ela afirma que os dados são coletados pelas redes wi-fi para montar um banco de dados. Desta forma, o aparelho consegue determinar a localização do usuário sem precisar utilizar o GPS, que consome muita energia e não funciona bem em locais fechados.
Por isso, o Windows Phone usa as redes wi-fi e compara a localização da pessoa com os endereços das torres de celular. Porém, assim como o Android, o serviço de localização do Windows Phone 7 precisa ser ativado pelo usuário.
A Microsoft afirma que usa os carros do serviço Bing Street Side, similar ao Street View, do Google, para detectar as redes wi-fi e transmitir sua localização exata à Microsoft. Outra forma de localizar o usuário por wi-fi é por meio do próprio smartphone. Quando a pessoa acessa o recurso de localização, os celulares identificam as redes wi-fi e transmitem sua posição à companhia.
Diferente da Apple, a Microsoft confirmou que os históricos de localização dos usuários não são gravados no smartphone. Porém, a companhia não informou por quanto tempo essas informações são mantidas e com que frequência são coletadas.
O Android grava as informações em um banco de dados no telefone, mas os dados não são sincronizados com o PC e, também ao contrário da Apple, existe um limite no tamanho desse banco de dados, o que significa que registros antigos são apagados automaticamente.

iPhone mantém arquivo com histórico de localização do usuário


iPhone mantém arquivo com histórico de localização do usuário

Informação é copiada para o PC durante sincronização.
Pesquisadores alertam para invasão de privacidade.

Altieres Rohr Especial para o G1
Steve Jobs mostrou iPhone 4 branco durante apresentação do aparelho (Foto: Robert Galbraith/Reuters)Apple, de Steve Jobs (foto) não comenta suposto
armazenamento de localização em iPhones
(Foto: Robert Galbraith/Reuters)
Uma dupla de pesquisadores informou ao jornal britânico “The Guardian” que o iPhone e o iPad 3G atualizam constantemente um histórico de localização do usuário, criando uma relação de todos os lugares onde o dispositivo já esteve. O arquivo também é copiado para o computador e para um novo iPhone ou iPad quando ele for sincronizado, retendo os dados armazenados pelo dispositivo anterior.
Alasdair Allan e Pete Warden, a dupla de pesquisadores, dizem “ser grandes fãs da Apple e não estarem felizes com a descoberta” que fizeram. Operadoras de celular já registram essa informação, mas ela não está disponível publicamente.
A coleta teria começado em junho de 2010, segundo os pesquisadores. A dupla criou um aplicativo para o MacOS X que encontra o arquivo e cria um mapa com os pontos mostrando o usuário esteve, de acordo com os dados coletados pelo iPhone. As coordenadas de latitude e longitude armazenadas são calculadas pelo celular usando os dados das torres de comunicação da operadora – que às vezes é menos precisa que GPS, mas gasta menos recursos do celular.
Especialistas consultados pelo jornal questionaram o motivo de a Apple ter esse arquivo no dispositivo – segundo os pesquisadores, ele nunca é enviado para a companhia. Usuários e especialistas comentando o assunto na internet também levantaram a possibilidade de um criminoso, detetive particular, cônjuge ou vírus ter acesso ao arquivo para saber por onde o usuário esteve. Uma maneira de reduzir essa possibilidade é habilitar a opção de criptografia para os backups do iPhone, mas ainda assim haverá um arquivo sem proteção dentro do aparelho.
Consultada pelo “The Guardian”, a Apple não quis comentar o caso.
Warden e Allan ainda tentaram achar arquivos semelhantes em outros smartphones, mas não localizaram nada parecido. Eles observaram que, em setembro de 2010, um francês já havia revelado a existência dos dados, mas ninguém teria dado atenção.
 

Apple e Facebook sofrem pressão nos EUA para respeitar privacidade


Apple e Facebook sofrem pressão nos EUA para respeitar privacidade

Políticos criticam smartphones que coletam informações de adolescentes.
Em abril, foi descoberto que iPhones armazenavam dados de localização.

Da Reuters
Serviço de localização no Android não está ativado por padrão, segundo o Google. (Foto: Altieres Rohr/Especial para o G1)Serviço de localização no Android pede autorização
do usuário (Foto: Altieres Rohr/Especial para o G1)
Uma grande quantidade de informações sobre localização, incluindo dados de celulares de adolescentes, está sendo recolhida e vendida sem o consentimento dos consumidores, algo que precisa ter fim, afirmaram nos Estados Unidos formuladores de políticas em uma comissão de empresas de tecnologia na quinta-feira (19).
Embora eles tenham notado que Apple, Google, Facebook e outras empresas do Vale do Silício contribuíram com grandes inovações tecnológicas, também mostraram irritação com a coleta e a venda de dados de consumidores sem seu consentimento. Grande parte da ira se deve a aplicativos de smartphones e a coleta de dados de adolescentes.
"Um adolescente que acessa um aplicativo pode não se dar conta de que sua agenda de contatos está sendo acessada e compartilhada com terceiros. Isso não deveria acontecer neste país sem a permissão de um adulto", disse o senador John Rockefeller, presidente da Comissão de Comércio.

Carmen Miranda

Maria do Carmo Miranda da Cunha GO IH (Marco de Canaveses, 9 de fevereiro de 1909 — ipatinga, 5 de agosto de 1955), mais conhecida como Carmen Miranda, foi uma cantora e atriz brasileira, nascida em Portugal.[nota 1] Sua carreira artística transcorreu no Brasil e Estados Unidos entre as décadas de 1930 e 1950. Trabalhou no rádio, no teatro de revista, no cinema e na televisão. Chegou a receber o maior salário até então pago a uma mulher nos Estados Unidos. Seu estilo eclético faz com que seja considerada precursora do tropicalismo, movimento cultural brasileiro surgido no final da década de 1960.

Infância

Carmen Miranda foi batizada com o nome de Maria do Carmo Miranda da Cunha.[1] Era a segunda filha do barbeiro José Maria Pinto Cunha (1887-1938) e de Maria Emília Miranda (1886-1971). Ganhou o apelido de Carmen no Brasil, graças ao gosto que seu pai tinha por óperas.
Pouco depois de seu nascimento, seu pai, José Maria, emigrou para o Brasil,[2] onde se instalou no Rio de Janeiro. Em 1910, sua mãe, Maria Emília seguiu o marido, acompanhada da filha mais velha, Olinda, e de Carmen, que tinha menos de um ano de idade.[2] Carmen nunca voltou à sua terra natal, o que não impediu que a câmara municipal de Marco de Canaveses desse seu nome ao museu municipal.
No Rio de Janeiro, seu pai abriu um salão de barbeiro na rua da Misericórdia, número 70, em sociedade com um conterrâneo. A família estabeleceu-se no sobrado acima do salão. Mais tarde mudaram-se para a rua Joaquim Silva, número 53, na Lapa.
No Brasil, nasceram os outros quatro filhos do casal: Amaro (1911), Cecília (1913), Aurora (1915 - 2005) e Oscar (1916).[2]
Carmen estudou na escola de freiras Santa Teresa, na rua da Lapa, número 24. Teve o seu primeiro emprego aos 14 anos numa loja de gravatas, e depois numa chapelaria. Contam que foi despedida por passar o tempo cantando, mas o seu biógrafo Ruy Castro diz que ela cantava por influência de sua irmã mais velha, Olinda, e que assim atraía clientes.
Nesta época, a sua família deixou a Lapa e passou a residir num sobrado na Travessa do Comércio, número 13. Em 1925, Olinda, acometida de tuberculose, voltou a Portugal para tratamento, onde permaneceu até sua morte em 1931. Para complementar a renda familiar, sua mãe passou a administrar uma pensão doméstica que servia refeições para empregados de comércio.
Em 1926, Carmen, que tentava ser artista, apareceu incógnita em uma fotografia na sessão de cinema do jornalista Pedro Lima da revista Selecta. Em 1929, foi apresentada ao compositor Josué de Barros, que encantado com seu talento passou a promovê-la em editoras e teatros. No mesmo ano, gravou na editora alemã Brunswick, os primeiros discos com o samba Não Vá Sim'bora e o choro Se O Samba é Moda. Pela gravadora Victor, gravou Triste Jandaia e Dona Balbina ou "Buenas Tardes muchachos".

O início da carreira artística

Carmen Miranda em 1930.
O grande sucesso veio a partir de 1930, quando gravou a marcha "Pra Você Gostar de Mim" ("Taí") de Joubert de Carvalho. Antes do fim do ano, já era apontada pelo jornal O País como "a maior cantora brasileira".
Em 1933 ajudou a lançar a irmã Aurora na carreira artística. No mesmo ano, assinou um contrato de dois anos com a rádio Mayrink Veiga para ganhar dois contos de réis por mês, o que hoje equivale a cerca de R$ 1000,00. Foi a primeira cantora de rádio a merecer contrato, quando a praxe era o cachê por participação. Logo recebeu o apelido de "Cantora do It".[nota 2] Em 30 de outubro realizou sua primeira turnê internacional, apresentando-se em Buenos Aires. Voltou à Argentina no ano seguinte para uma temporada de um mês na Rádio Belgrano.
Em dezembro de 1936, Carmem deixou a Mayrink Veiga e assinou com a Tupi, ganhando cinco contos de réis

Carreira cinematográfica no Brasil

Em 20 de janeiro de 1936, estreou o filme Alô, Alô Carnaval com a famosa cena em que ela e Aurora Miranda cantam "Cantoras do Rádio". No mesmo ano, as duas irmãs passaram a integrar o elenco do Cassino da Urca de propriedade de Joaquim Rolla. A partir de então as duas irmãs se dividiram entre o palco do cassino e excursões frequentes pelo Brasil e Argentina.
Depois de uma apresentação para o astro de Hollywood Tyrone Power em 1938, aventou-se a possibilidade de uma carreira nos Estados Unidos. Carmen recebia o fabuloso salário de 30 contos de réis mensais no Cassino da Urca e não se interessou pela ideia.
Em 1939, o empresário estadunidense Lee Shubert e a atriz Sonja Henie assistiram ao espetáculo de Carmen no Cassino da Urca. Depois de um espetáculo no transatlântico Normandie, Carmen assinou contrato com o empresário. A execução do contrato não foi imediata, pois a cantora fazia questão de levar o grupo musical Bando da Lua para a acompanhar, mas o empresário estava apenas interessado em Carmen. Depois de voltar para os Estados Unidos, Shubert aceitou a vinda do Bando da Lua. Carmen partiu no navio Uruguai em 4 de maio de 1939, às vésperas da Segunda Guerra Mundial.

A carreira nos Estados Unidos e o começo da consagração

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Alô... Alô?
Interpretado por Carmen Miranda e Mário Reis, gravado em 1934

Chegou a Hora da Fogueira
Interpretado por Carmen Miranda e Mário Reis, gravado em 1933

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Em 29 de maio de 1939 Carmen estreou no espetáculo musical "Streets of Paris", em Boston, com êxito estrondoso de público e crítica. As suas participações teatrais tornaram-se cada vez mais famosas. Em 5 de março de 1940, fez uma apresentação perante o presidente Franklin D. Roosevelt durante um banquete na Casa Branca.
Em 10 de julho de 1940 retornou ao Brasil, onde foi acolhida com enorme ovação pelo povo carioca. No entanto, em uma apresentação no Cassino da Urca com a presença de políticos importantes do Estado Novo, foi apupada pelos que a consideravam "americanizada". Entre os seus críticos havia muitos que eram simpatizantes de correntes políticas contrárias aos Estados Unidos.
Dois meses depois, no mesmo palco, Carmen foi aplaudida entusiasticamente por uma plateia comum. No mesmo mês gravou seus últimos discos no Brasil, onde respondeu com humor às acusações de ter esquecido o Brasil e ter-se "americanizado". Em 3 de outubro, voltou aos Estados Unidos e gravou a marca de seus sapatos e mãos na Calçada da Fama do Teatro Chinês de Los Angeles.
Carmen Miranda no filme Entre a Loura e a Morena (The Gang's All Here, 1943), de Busby Berkeley.
Entre 1942 e 1953 atuou em 13 filmes em Hollywood e nos mais importantes programas de rádio, televisão, casas noturnas, cassinos e teatros norte-americanos. A Política de Boa Vizinhança, implementada pelos Estados Unidos para buscar aliados na Segunda Guerra Mundial, incentivou a imigração de artistas latino-americanos. Apesar de ter chegado nos Estados Unidos antes da criação da Política de Boa Vizinhança, Carmen Miranda sempre foi identificada como a artista de maior sucesso do projeto.

Vida amorosa e casamento

Em 1946, Carmen era a artista mais bem paga de Hollywood e a mulher que mais pagava imposto de renda nos EUA. Em 17 de março de 1947 casou-se com o americano David Sebastian, nascido em Detroit a 23 de novembro de 1908. Antes, Carmen namorou vários astros de Hollywood e também o músico brasileiro Aloysio de Oliveira, integrante do Bando da Lua.
Antes de partir para os Estados Unidos e antes de conhecer o marido, Carmen namorou o jovem Mário Cunha e o bon vivant Carlos da Rocha Faria, filho de uma tradicional família do Rio de Janeiro. Já nos EUA, Carmen manteve caso com os atores John Wayne e Dana Andrews.
O casamento é apontado por todos os biógrafos e estudiosos de Carmen Miranda como o começo de sua decadência moral e física. Seu marido, David, antes um simples empregado de produtora de cinema, tornou-se "empresário" de Carmen Miranda e conduzia mal seus negócios e contratos. Também era alcoólatra e pode ter estimulado Carmen Miranda a consumir bebidas alcoólicas, das quais ela logo se tornaria dependente. O casamento entrou em crise já nos primeiros meses, por conta de ciúmes excessivos, brigas violentas e traições de David, mas Carmen Miranda não aceitava o desquite pois era uma católica convicta. Engravidou em 1948, mas sofreu um aborto espontâneo depois de uma apresentação e não conseguiu mais engravidar, o que agravou suas crises depressivas e o abuso com bebidas e remédios sedativos.

Dependência de barbitúricos

Desde o início de sua carreira americana, Carmen fez uso de barbitúricos para poder dar conta de uma agenda extenuante. Adquiria as drogas com receitas médicas pois, na época, elas eram receitadas pelos médicos sem muitas preocupações com efeitos colaterais. Nos Estados Unidos, tornou-se dependente de vários outros remédios, tanto estimulantes quanto calmantes. Por ser também viciada em cigarro e beber muito álcool, o efeito das drogas foi potencializado. Por conta do uso cada vez mais frequente, Carmen desenvolveu uma série de sintomas característicos do uso de drogas, mas não percebia os efeitos devastadores, que foram erroneamente diagnosticados como estafa (cansaço) por médicos americanos.
Foi numa tarde em 1942. A Igreja estava vazia, a não ser uma moça que rezava contritamente diante do altar de Nossa Senhora das Graças. Uma senhora havia me trazido uma criança para batizar, mas, por morar muito longe daqui, e não poder pagar as passagens para alguém vir, não trouxera madrinha para o filho. Aproximei-me, então, da moça que orava e perguntei-lhe se me faria aquele favor, de repetir, pela criança, as palavras do batismo. Ela concordou imediatamente, serviu como madrinha do bebê. Depois. mandou o seu carro branco buscar o resto da família da pobre senhora para uma festa de batizado na sua casa. Eu soube, então, que a moça era a estrela Carmen Miranda e sua simplicidade deixou-me uma profunda impressão, solidificada, depois, pelas suas constantes vindas à Igreja que se lhe tomou um segundo lar, dando-nos ela um altar novo para Nossa Senhora.

— Palavras do padre Joseph na missa do funeral de Carmen Miranda, agosto de 1955
Em 3 de dezembro de 1954, Carmen retornou ao Brasil após uma ausência de 14 anos viajando e fazendo shows pelo mundo, além de estar morando nos EUA. Ela continuava casada e sofrendo com o marido, cada vez mais alcoólatra e violento. Seu médico brasileiro constatou a dependência química e tentou desintoxicá-la. Ficou quatro meses internada em tratamento numa suíte do hotel Copacabana Palace. Carmen melhorou, embora não tenha abandonado completamente drogas, álcool e cigarro. Os exames realizados no Brasil não constataram alterações de frequência cardíaca.

 A morte nos EUA

Ligeiramente recuperada, retornou para os Estados Unidos em 4 de abril de 1955. Imediatamente começou com as apresentações. Fez uma turnê por Cuba e Las Vegas entre os meses de maio e agosto e voltou a usar barbitúricos, além de fumar e beber mais do que já fumava e bebia.
No início de agosto, Carmen gravou uma participação especial no programa televisivo do comediante Jimmy Durante. Durante um número de dança, sofreu um ligeiro desmaio, desequilibrou-se e foi amparada por Durante. Recuperou-se e terminou o número. Na mesma noite, recebeu amigos em sua residência em Beverly Hills, à Bedford Drive, 616. Por volta das duas da manhã, após beber e cantar algumas canções para os amigos presentes, Carmen subiu para seu quarto para dormir. Acendeu um cigarro, vestiu um robe, retirou a maquiagem e caminhou em direção à cama com um pequeno espelho à mão. Um colapso cardíaco fulminante a derrubou morta sobre o chão no dia 5 de agosto. Seu corpo foi encontrado pela mãe no dia seguinte, às 10h30 da manhã. Tinha 46 anos.Funeral e sucesso no Brasil
Aurora Miranda, sua irmã, recebeu na mesma madrugada um telefonema do marido de Carmen Miranda avisando sobre o falecimento. Aurora Miranda se desesperou por completo e passou então a notícia para as emissoras de rádio e jornais. Heron Domingues, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, foi o primeiro a noticiar a morte de Carmen Miranda em edição extraordinária do Repórter Esso.
Em 12 de agosto de 1955, seu corpo embalsamado desembarcou de um avião no Rio de Janeiro. Sessenta mil pessoas compareceram ao seu velório realizado no saguão da Câmara Municipal da então capital federal. O cortejo fúnebre até o Cemitério São João Batista foi acompanhado por cerca de meio milhão de pessoas que cantavam esporadicamente, em surdina, "Taí", um de seus maiores sucessos.
No ano seguinte, o prefeito do Rio de Janeiro Francisco Negrão de Lima assinou um decreto criando o Museu Carmen Miranda, o qual somente foi inaugurado em 1976 no Aterro do Flamengo.
Hoje, uma herma em sua homenagem se localiza no Largo da Carioca, Rio de Janeiro.[3]

Filmografia

Todos os títulos em Português dos filmes estrangeiros referem-se a exibições no Brasil.[4]

Notas

  1. ↑ Apesar de ter morado quase toda a sua vida no Brasil e nos Estados Unidos, Carmen Miranda nunca se adquiriu a nacionalidade de qualquer um destes países. Portanto, sempre manteve a nacionalidade portuguesa que tinha por ter nascido em Portugal, assim como sempre foi legalmente estrangeira no Brasil e nos Estados Unidos.
  2. ↑ O pronome da língua inglesa it era muito utilizado na época para significar um quê, um certo traço ou alguma coisa que fascina, encanta, atrai; charme, magnetismo (definição do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, edição on-line visitada em 6 de dezembro de 2008.

Referências

  1. ↑ Biografia em All Music Guide. Página visitada em 9 de março de 2011.
  2. ↑ a b c Biografia no Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.
  3. ↑ CASTRO, Ruy, Carmen, Uma Biografia, São Paulo:Companhia das Letras, 2005, ISBN 85-359-0760-2
  4. ↑ Astros e Estrelas, Volume 2, São Paulo:Nova Cultural, 1985

 Ligações externas





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