A presidente da Argentina também deixou o país na madrugada deste sábado e não compareceu à cúpula
Dilma Rousseff deve retornar ao Brasil na tarde deste sábado (Juan Barreto/AFP) A presidente da Argentina também deixou a Venezuela ainda na madrugada. Depois de uma reunião que só terminou às 23h30 de sexta-feira, boa parte dos presidentes decidiu não participar do segundo dia do encontro.
A própria abertura da Cúpula - com show da Orquestra Sinfônica Juvenil Simón Bolívar - começou com duas horas de atraso. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, cumpriu seu tradicional roteiro e falou por mais de uma hora, apesar de ter dito que seria breve. A plenária dos presidentes, prevista para terminar às 17 horas, começou às 19 horas. Sem jantar, os governantes ouviram discursos de seus colegas por quase quatro horas. No meio do encontro, foi servida uma sopa.
Depois de mais um discurso de Chávez, Dilma foi a primeira a falar. Ressaltou a necessidade de integração para enfrentar a crise econômica e que juntos, os 33 países que compõe a Celac serão mais fortes. "Mas eu falo num novo paradigma. Porque as economias mais desenvolvidas da nossa região não podem nem absorver, nem subordinar, e tampouco tutelar seus vizinhos, como nós estamos vendo acontecer em partes até então bastante civilizadas, ou assim ditas civilizadas, do mundo", afirmou a presidente.
Dilma ainda argumentou que é preciso avançar no processo de fortalecimento de um novo projeto de crescimento solidário. " Um crescimento no qual a prosperidade de um produz também a prosperidade de todos. Isso significa não só buscar o aumento do comércio intra-regional de bens e serviços, mas também é necessário que nós busquemos uma maior integração produtiva", disse a presidente.
Dilma também anunciou que a Universidade de Integração da América Latina - agora também do Caribe - (Unila) passará a receber alunos de toda a região e poderá ser um braço acadêmico da Celac, não apenas para integração universitária como para pesquisas sobre a região. "Ela deverá especializar-se em cursos de graduação e pós-graduação relacionados à temática da integração da América Latina e do Caribe", afirmou. "No seu primeiro ano, a Unila recebeu alunos argentinos, brasileiros, paraguaios e uruguaios. A partir de agora, ela estende suas matrículas para todos os estudantes latino-americanos e caribenhos. Em cinco anos, queremos que a Unila tenha 10 mil alunos e 500 professores de toda a região".
O encontro terminou com uma foto oficial - inicialmente marcada para o final da manhã de sábado - tomada às 23h30. Mas deixou pendências que terão de ser definidas pelos chanceleres nos próximos meses. Por exemplo, como a Celac tomará suas decisões. Por consenso, ou por maioria absoluta, como propôs o Equador.
A Celac é um organismo que nasceu da junção dos fóruns da Cúpula da América Latina e do Caribe (CALC) e Grupo do Rio, e começou a se formar no Brasil em 2008. Nos próximos três anos, Chile, Cuba e Costa Rica sediarão a cúpula, respectivamente.
(Com Agência Estado)

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