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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Maioria no Pará rejeita a divisão. Melhor assim! Se estado pequeno fosse a solução, Sergipe seria a Suíça, e Alagoas, a Dinamarca

Pronto! Com todo o respeito aos que queriam a divisão, acabou o delírio: o Pará continuará unido. Nada menos de 66% dos eleitores do Estado disseram “não” à criação de Tapajós (66,3%) e Carajás (66,54%). Em Belém, um pólo anti-separatista, quase 95% se opuseram à proposta. Em Santarém, ao contrário, quase 100% votaram a favor; Marabá também se expressou pela separação: perto de 93%.
Os cofres públicos agradecem o resultado, embora se deva lamentar o custo dessa consulta; por baixo, uns R$ 20 milhões. Dinheiro jogado fora!

Há movimentos separatistas no Amazonas, em Roraima, no Maranhão, no Mato Grosso etc. A população de regiões que se sentem desprestigiadas pela administração central de seus respectivos estados tende a acredsitar que a divisão seria benéfica. Trata-se, obviamente, de uma ilusão. Autonomia administrativa não quer dizer, de longe, melhoria da gestão. Tampouco estados pequenos são sinônimos de eficiência, ou Sergipe seria a Suíça, e Alagoas, a Dinamarca.
A eventual divisão acarretaria um custo imenso ao governo federal — e, pois, ao conjunto dos brasileiros — e também aos paraenses de qualquer cidade. O custo de se criar uma estrutura administrativa do zero seria gigantesco. Estima-se, de saída, algo em torno de de R$ 4 bilhões.
Os votos de Santarém e Marabá, no entanto, dão o que pensar. Ainda que os eleitores tenham se deixado seduzir pela campanha, o fato é que os votos expressam um protesto claro contra sucessivos governos. O plebiscito disse qual é a vontade da maioria dos eleitores do estado, mas resta evidente que há “maiorias localizadas” que estão descontentes.
Voto distrital
Eu lhe coloco aqui um tema para reflexão. Vocês sabem que sou um defensor entusiasmado do voto distrital. Qual é o seu principal benefício? Os deputados federais, estaduais e vereadores passam a representar, efetivamente, A POPULÃO de um determinado distrito. No sistema proporcional, conforme temos hoje, os parlamentares acabam sendo porta-vozes de corporações, segmentos sociais, minorias organizadas etc.
Com o voto distrital, essas áreas que hoje se sentem abandonadas ou maltratadas teriam o(s) seu(s) representantes na Assembléia Legislativa. Os moradores de Marabá ou Santarém, para ficar no caso em particular, elegeriam parlamentares que efetivamente representassem as respectivas regiões. A grande vantagem do voto distrital, no geral, seria a formação de um Congresso menos corporativista; no particular, o Legislativo estaria mais próximo das pessoas de verdade. Hoje, convenham, as bancadas se dividem mais ou menos assim: a dos sindicalistas, a dos empresários, a dos funcionários públicos etc. Ocorre que o regime democrático supõe a representação dos CIDADÃOS, dos indivíduos, não das corporações do ofício. Isso é uma grave distorção do princípio democrático.
A maioria da população do Pará fez a coisa certa. Espero que o resultado desestimule outras ambições separatistas.
Por Reinaldo Azevedo
VEJA

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